Olha, queria começar fazendo uma pequena observação: mas que intercambista mais desnaturada que eu sou. Não sei como (quase) ninguém me dá bronca por falta de notícia, que nem eu sabia que tinha tanto tempo assim que eu não escrevia. Pedir desculpa nem adianta né, que já falei antes, mas é que tá pra nascer gente mais desligada que eu. Então.
Dezembro: O restinho de 2011 foi bem mais ou menos; tava com aquela saudade e não teve festa de natal, nem de ano nove nem nada. Mas valeu as duas semanas de férias, se bem que tava um frio danado. Mas nem nevou muito. Aliás, diz que eu tive muita sorte, porque não foi nada frio. O máximo (ou mínimo) que chegou aqui foi -10ºC. Aliás, essa semana agora tá bem quente, entre 15º e 20º...
Janeiro: Esse passou num piscar de olhos. Parece que quanto mais o tempo passa, começa a passar mais rápido... em Janeiro fui à uma estação de esqui em Indiana, foi super legal. As fotos AINDA tão com a Gabi, mas tão todas uma piada. Primeiro porque eu tava com 3 calças, dois pares de meias, duas blusas de manga comprida, um moletom e um casaco de neve, mais touquinha, "earwarmers" - que é um negócio pra esquentar a orelha, por fora parece um fone de ouvido daqueles grandes - e luvas. E mesmo assim, passei um frio que nunca mais, viu. Nesse lugar a neve é artificial (apesar de que estava nevando no dia que a gente chegou), porque não é uma montanha muito alta, e tals. Aí têm umas máquinas que ficam soprando neve pra cima, e fica caindo o tempo inteiro. Pois então: por mais bem coberta que se esteja, com roupa impermeável e tudo, entra gelo no pescoço, dentro da bota de esqui, e tudo quanto é lugar. Não dá pra ver nada quando a gente vai descer a montanha mesmo, porque o ar corta tão frio que dói deixar os olhos abertos. E aquele oclinhos também não funciona, porque gruda os floquinhos de neve e não dá mais pra ver nada... e as botas são o sapato mais desconfortável que já usei na minha vida. É impossível andar que nem gente, e pra colocar e tirar parece que, literalmente, vai quebrar seu tornozelo. Depois disso, salto quinze é fichinha. Mas tirando o desconforto e as inúmeras quedas, foi super divertido. Aliás, até cair foi divertido. Encontramos uns outros brasileiros também, o que foi muito legal, não dá nem pra descrever a animação que dá quando a gente escuta alguém falando português além da gente. Mas no segundo dia, não ficamos lá fora muito tempo, fomos pro restaurante que tinha lá na estação, porque o frio é assim indescritível. Depois do primeiro dia, quando fomos pra dentro do restaurante, eu não conseguia sentir meus lábios... foi igualzinho a quando tirei o ciso mesmo. Demorou umas horas pra eu conseguir falar normalmente. Mas adorei, era tudo lindo, mas acho que só pra ver mesmo. Que se der pra ficar do lado de dentro, prefiro demais.
Fevereiro: No começo de fevereiro, foi o meu Homecoming, que é um dia que tem jogo na escola (de basquete) e depois tem uma "dança" daquelas de escola americana. Eu tava na "corte", que é um grupo de alunos eleitos de cada sala e tal, e a gente tipo desfila, falam coisas sobre a gente, e tudo. Isso foi bem legal, comprei um vestido lindo, aí faz cabelo, maquiagem, e tudo, se bem que é só por umas horinhas, porque na dança mesmo eu não fui - aliás, ninguém vai, só povo da 7ª e 8ª série. E nesse dia também tivemos uma apresentação de cheerleader, foi tudo ótimo, tirando o stress que a música não funcionava, teve que buscar outro CD e outro som, essas coisas normais que acontecem sempre que tem algo que não era pra dar errado. O melhor foi que nesse dia tava super frio, nevou à noite e tudo, e eu indo embora com meu vestido lindo (aquele rosa que tá no face), de alcinha e tal.
Em fevereiro também acabou a temporada de basquete, que foi muito triste, porque eu gostei mesmo de ser líder de torcida... nada a ver com o que tem nos filmes. Agora até adquiri um gosto por basquete, acho que vou até acompanhar... bem mais fácil que baseball e futebol americano, dois que até hoje só sei o básico mesmo. Aliás, nunca vi coisa mais complicada que baseball. E na escola divide baseball e softball, e não sei mais o quê, porque meu cérebro parece que automaticamente cai no sono quando alguém começa a tentar me explicar; fui assistir um filme de baseball e olha, não sei como que me aguentaram. Eu tava parecendo Raquel (hehe), não parava de perguntar mesmo.
Ah é, e foi em fevereiro que percebi que tô gordinha demais, ganhei 8 quilos. Ô raiva. Minhas calças jeans tão todas dentro da mala, porque já desisti de tentar caber nelas. Mas tô fazendo exercício agora, e daqui a um mês eu experimento elas de novo.
Semana passada fomos com o Rotary pra Saint Louis, pra um lugar que auxilia refugiados e imigrantes aqui nos Estados Unidos, e foi bem legal, conheci gente de todo lugar, com cada história de ficar de queixo caído mesmo. Aí as duas chefonas lá decidem que a gente vai comer num restaurante Vietnamês ou sei lá como é que chama em português. Foi uma luta pra eu achar o que eu ia comer, sei que eu sou fresca, e demais da conta, mas não deu vontade nenhuma de comer cérebro ou tripa. Acabei comendo uma sopa com macarrão - o macarrão mais esquisito que eu já vi na vida; tava até boazinha, mas faltando um tempeirinho de Iza.
E ontem teve o tornado. Aqui não foi nada ruim, só passou rapidinho por Metropolis, nem destruiu nem nada. Diz que é porque foi muito rápido e a área era muito pequena, e sei mais o quê. Não entendo essas coisas de tornado não. Mas o que eu vi foi o seguinte: tava eu, bonita, dormindo tranquilamente, quando acordo ouvindo um barulho esquisitíssimo, de um vento muito forte. Quando eu acordei, o que eu achei foi que minha janela tava aberta, só que eu não conseguia lembrar quando que eu tinha aberto. Aí eu "recobrei os sentidos" (porque eu não durmo não, eu desmaio, falar que eu tenho sono pesado é apelido), olhei pela janela e só vi o mundo acabando. Minha cama é bem do lado da minha janela, e dava pra sentir o impacto do vento nas paredes da casa. Eu olhava do lado de fora e tava chovendo muito forte mesmo, relâmpago a cada 5 segundos, e árvore balançando, e aquele barulho ensurdecedor ecoando em todas as paredes da casa. Olha, não vale nem a pena mentir: eu voltei pra debaixo das cobertas e rezei. Aqui em casa tem tipo um rádio que dá esses avisos de tempestade e tornado (porque na primavera tem é toda hora), e eu só ouvia as sirenes apitando loucamente, e nessa hora nem dava mais pra gente ir pro abrigo. Mas graças a Deus, não destruiu nada aqui, e foi só o susto. Ruim mesmo foi uma cidade aqui perto, Harrisburg, morreram acho que quase 30 pessoas, e tá tudo destruído. A Camila me disse que passou na TV aí... vai ter outro tornado amanhã, mas esse vai ser de dia. Rezem aí☺ Meu pai aqui já falou comigo: deixa uma roupa preparada no pé da cama, porque se toca a sirene tem que ir correndo pro abrigo. Leva só a roupa do corpo. Sei que o que importa mesmo é a vida da pessoa, e tals, mas não consigo imaginar perder tudo em tão pouco tempo. Vem rápido demais, e quando se percebe, já passou. Tem seguro, né, mas mesmo assim. O pior é que já é tão normal aqui, diz que tem isso o tempo todo, achei esquisito demais. Aliás, aqui teve um terremoto outro dia também, mas nesse eu dormi, nem senti nada. Abençoado é esse Brasil que não tem essas coisas, normalmente. Aiai, vontade que eu tô agora é de ir pra praia - que tô precisando de um bronzeado! Tô tão branca que minha maquiagem já não é mais minha cor...
Beijobeijo pra todo mundo, morro de saudades de todos, e penso sempre em vocês, mesmo que não mande notícias sempre... amo vocês♥
-Livia